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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

IMPACTOS SOCIAIS DA HIDRELÉTRICA DE TUCURUÍ

IMPACTOS SOCIAIS DA HIDRELÉTRICA DE TUCURUÍ
Philip M. Fearnside
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)
C.P. 478
69011-970 Manaus-Amazonas
Fax: (92) 642-8909
e-mail: pmfearn@inpa.gov.br
17 de abril de 2002
28 de julho de 2002
RESUMO
..........................................................
ABSTRACT .................................................
I.) INTRODUÇÃO: A HIDRELÉTRICA DE TUCURUI .................
II.) IMPACTOS SOCIAIS
A.) POPULAÇÃO DESLOCADA ..............................
B.) RESIDENTES A JUSANTE .............................
C.) POVOS INDÍGENAS ..................................
D.) SAÚDE
1.) Malária .....................................
2.) Praga de Mosquitos Mansonia .................
3.) Mercúrio ....................................

4.) Outros Riscos em Potencial para a Saúde .....
E.) DISTORÇÃO ECONÔMICA ..............................
III.) BENEFÍCIOS DE TUCURUÍ ...............................
A.) GERAÇÃO DE ENERGIA ...............................
B.) EMPREGOS .........................................
IV.) IMPACTOS SOCIAIS NA TOMADA DE DECISÕES ...............
V.) CONCLUSÕES ............................................
VI.) AGRADECIMENTOS .......................................
VII.) LITERATURA CITADA ...................................
LEGENDAS DAS FIGURAS ......................................
1
RESUMO
A hidrelétrica de Tucuruí, criada em 1984 no Estado do
Pará, continua sendo uma fonte de controvérsia. A maioria dos
benefícios da energia vão para empresas de alumínio, onde
apenas um montante de emprego minúsculo é gerado. Apresentado
freqüentemente por autoridades como um modelo para o
desenvolvimento hidrelétrico devido à quantidade substancial
de energia que gera, os impactos sociais e ambientais do
projeto são igualmente substanciais. O exame do caso de
Tucuruí revela uma sobre-estimativa sistemática dos benefícios
e uma sub-estimativa dos impactos pelas autoridades. A
Tucuruí oferece muitas lições ainda não aprendidas para o
desenvolvimento hidrelétrico na Amazônia.
Palavras Chaves: Barragens, Tucuruí, Reservatórios,
Reassentamento, Mansonia, Mercúrio, Hidrelétricas, Amazônia
ABSTRACT
The Tucuruí Dam, closed in 1984 in Brazil's eastern
Amazonian state of Pará, is a continuing source of
controversy. Most benefits of the power go to aluminum
smelting companies where only a tiny amount of employment is
generated. Often presented by authorities as a model for
hydroelectric development because of the substantial power
that it produces, the project's social and environmental
impacts are also substantial. Examination of Tucuruí reveals
a systematic overestimation of benefits and underestimation of
impacts as presented by authorities. Tucuruí offers many asyet
unlearned lessons for hydroelectric development in
Amazonia.
Key words: Dams, Tucuruí, Reservoirs, Resettlement, Mercury,
Mansonia, Hydroelectric development, Amazonia
I.) INTRODUÇÃO: A HIDRELÉTRICA DE TUCURUI
A hidrelétrica de Tucuruí, que bloqueou o rio Tocantins
em 1974, inundou 2.430 km2 incluindo parte da Área Indígena
Parakanã (Fig. 1). O reservatório está localizado no Pará
central, entre 3o43' e 5o15'Sul e 49o12' e 50000'Oeste. A casa
de força tem 4.000 megawatts (MW) de capacidade instalada na
sua fase inicial (Tucuruí-I), que aumentaria para 8.000 MW em
uma segunda fase planejada (Tucuruí-II). O Brasil tem planos
ambiciosos para o desenvolvimento hidrelétrico na Amazônia, e
a experiência com Tucuruí contém muitas lições que precisam
ser aprendidas caso o País queira tomar decisões sábias sobre
esses desenvolvimentos.
[Figura 1 aqui]
2
Sempre houve indicações de que Tucuruí não é a maravilha
descrita pela ELETRONORTE, a companhia elétrica no norte do
Brasil. Antes da construção da barragem, o Banco Mundial foi
sondado para o financiamento, mais recusou (R.J.A. Goodland,
comunicação pessoal, 1986). Os residentes ao longo das
margens do reservatório têm uma longa série de reclamações, e
acamparam durante dois anos na entrada da sede da ELETRONORTE
para reivindicar locais alternativos de re-assentamento. A
economia das vilas a jusante da barragem foi destruída,
criando, entre e a população do baixo rio Tocantins, uma
hostilidade quase unânime contra a ELETRONORTE. Em 1991, uma
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia
Legislativa do Estado do Pará investigou os problemas causados
pela barragem e endossou uma longa lista de reclamações. Por
último, o Tribunal Internacional das Águas condenou o governo
brasileiro pelos impactos de Tucuruí, na sua sessão de 1991 em
Amsterdã (Internacional Water Tribunal, 1991). Embora o
Tribunal tenha apenas autoridade moral, a condenação foi foco
de atenção mundial sobre a existência de um padrão subjacente
de problemas sociais e ambientais causados por este
empreendimento (Informe Jurídica, 1992).
A área de 2.430 km2 referente a Tucuruí diz respeito ao
reservatório no nível de Tucuruí-I, 72 m acima do nível médio
do mar. Se o projeto de Tucuruí-II for implementado, o nível
da água seria levantado para 74 m acima do nível do mar,
segundo o plano original. Elevar o nível da água para 74 m
aumentaria a área inundada em 205 km2, resultando em uma área
de 2.635 km2 (Brasil, ELETRONORTE, 1989a, p. 243). A
ELETRONORTE tem reconhecido, segundo informações informais, de
que aumento do nível d’água acima do nível atual de 72 m seria
politicamente inviável, devido aos efeitos sobre deslocamentos
de populações, e a empresa está planejando operar a
configuração de Tucuruí-II sem aumentar o nível da água (John
Denys Cadman, comunicação pessoal, 1996). A menor quantidade
de água armazenada no reservatório de Tucuruí, em comparação
ao plano original para Tucuruí-II, presumivelmente seria
compensada pela maior regulação do fluxo do rio por mais
barragens a montante.
Independente de se inundar mais área pelo reservatório de
Tucuruí propriamente dito, o projeto Tucuruí-II exigiria
regularizar a vazão do rio Tocantins com a construção da
barragem de Santa Isabel no baixo rio Araguaia, primeiro
afluente importante acima de Tucuruí (Paulo Edgar Dias
Almeida, comunicação pessoal, 1991). Os impactos desta obra,
portanto, precisam ser considerados na avaliação das propostas
para Tucuruí-II.
Tucuruí-II foi apresentado pela ELETRONORTE até
recentemente como uma mera continuação do projeto de
construção já em andamento antes de entrar em vigor em 23 de
janeiro de 1986, a exigência de um Relatório de Impactos sobre
o Meio Ambiente (RIMA). Em 1998, preparações para elaboração
de um RIMA foram iniciadas (Andrea Figureido, afirmação
3
pública, 25 de maio de 1998). No entanto, em 14 de junho de
1998, o Presidente da República liberou as verbas para
construção de Tucuruí-II (Indriunas, 1998), obviamente antes
de completar o RIMA.
Como é normal no Brasil até hoje, os impactos de
barragens a montante não seriam considerados no RIMA a ser
preparado para Tucuruí-II. Cada uma das barragens rio acima
seria obrigada a ter o seu próprio RIMA antes de ser
construída. No entanto, estas barragens são, de fato,
conseqüências de uma decisão que está sendo tomada sobre
Tucuruí-II sem um RIMA destes impactos a montante. É
necessária a exigência de avaliações de impactos para
assegurar que as conseqüências das decisões iniciais estejam
plenamente incluídas, como no caso de deslanchar o
desenvolvimento de uma bacia hidrográfica pela decisão inicial
sobre construção de uma barragem na parte mais baixa de uma
cadeia de barragens. O exemplo mais dramático é o caso do rio
Xingu, onde grandes áreas de terra indígena seriam inundadas
por barragens que se tornariam "necessárias" pela estrutura
inicial (a proposta barragem de Belo Monte, antes denominada
Kararaô) que aparece ser altamente atraente se visto
isoladamente (Fearnside, 1989).
II.) IMPACTOS SOCIAIS
A.) POPULAÇÃO DESLOCADA
A ELETRONORTE originalmente não incluiu nenhum estudo dos
impactos sociais na sua avaliação da barragem (Brasil,
ELETRONORTE, 1974). Em 1977, dois meses após o início da
construção, um único consultor (Robert Goodland) foi
contratado para preparar uma "avaliação ambiental". Ele fez
sua avaliação baseada em apenas um mês (julho de 1977) de
visita de campo (Goodland, 1978, p. 1). Os termos de
referência especificamente excluíam qualquer possibilidade de
modificar decisões de engenharia, tal como o nível da água. O
relatório aponta (p. 39) que de um a dois terços das famílias
deslocadas não teriam nenhum direito à compensação por falta
de títulos de terra ou equivalente aceitável. O lado superior
desta faixa, de fato, se mostrou ser o caso (Magalhães, 1990).
O relatório de Goodland enfatizou os planos da ELETRONORTE
para um levantamento da população atingida (i.e., Brasil,
ELETRONORTE s/d [1979]) e fez um cálculo grosseiro que
aproximadamente 15 mil pessoas teriam que ser deslocadas
(Goodland, 1978, p. 38-39).
O programa de re-assentamento para residentes da área de
inundação gerou grandes problemas sociais (de Castro, 1989;
Magalhães, 1990; Mougeot, 1987, 1990). Estimativas
preliminares indicaram que 9.500 pessoas em 13 povoados seriam
deslocadas (ELETRONORTE, s/d [1979]; ver também Monosowski,
1990, p. 39). As deficiências dos estudos feitos antes do
enchimento do reservatório têm sido revisadas por Mougeot
(1987, 1990) e Teixeira (1996, p. 198-200). Estimativas
feitas após o enchimento indicam 3.350 famílias (17.319
4
pessoas) (Monosowski, 1990, p. 32). Estimativas oficiais do
número de pessoas subseqüentemente aumentaram até 23.871
pessoas (World Rivers Review, 1991, p. 12; dos Santos & do
Nascimento, 1995; Teixeira, 1996, p. 198, baseado em Brasil,
ELETROBRÁS, 1987). A ELETRONORTE (1984, citado por Magalhães,
1990, p. 106) também calculou que 32.871 pessoas foram
deslocadas, além da população indígena. Em 1985, um ano após
o fechamento da barragem, 1.500 famílias continuaram sem
assentamento (Comissão Interministerial, 1985, citado por
Teixeira, 1996, p. 225). Até fevereiro de 1988, 2.539
famílias rurais e 1.433 famílias urbanas tinham sido relocadas
(Brasil, ELETRONORTE, 1989a, p. 437).
Vários segmentos da população afetada foram excluídos das
estimativas da ELETRONORTE dos programas de re-assentamento
baseado nestas estimativas (Teixeira, 1996, p. 199). Um fator
que levou à sub-estimativa foi consideração de apenas pessoas
cujas residências estavam localizadas dentro da área de
inundação, excluindo a população que morava adjacente a esta
área e usava a várzea sazonalmente inundada para a sua
subsistência. Outro fator foi o de ignorar todo o crescimento
populacional, inclusive a imigração, ao longo do período de
cinco anos (1980-1984) entre o levantamento e o enchimento do
reservatório.
Em total, 3.700 pessoas reassentadas pela ELETRONORTE
tiveram que ser re-alocadas para novas áreas quando os seus
primeiros locais de re-assentamento foram inundados pelo
reservatório (Magalhães, 1990, p. 111). Isto foi resultante
de erros grosseiros no mapa topográfico da área a ser
inundada, com algumas áreas mapeadas como sendo a mais de 76 m
acima do mar (o limite para re-assentamento) sendo, na
realidade, abaixa da cota de 72 m. Erros topográficos ocorrem
em ambas as direções, com algumas áreas sendo inesperadamente
inundadas e outras inesperadamente deixadas acima do nível da
água. Tensões adicionais surgiram quando uma parte da
população que tinha sido removida pela ELETRONORTE voltou
espontaneamente para a faixa entre as cotas de 72 e 76 m. O
limite superior para re-assentamento foi originalmente
estabelecido em 86 m, e subseqüentemente reduzido até 76 m (em
parte, com base em informações topográficas melhoradas) depois
que a maioria dos residentes já tinha sido deslocado; o
movimento de volta para a faixa entre 76 e 86 m criou muitas
injustiças, especialmente para os numerosos residentes
originais que não tinham a titulação legal às suas terras
(Mougeot, 1986, p. 405). Alguns dos assentados, cujas terras
foram apenas parcialmente inundadas, nas partes da margem onde
o nível da água se elevou até pontos mais altos do que
esperados, escolheram ficar no lugar apesar de ter suas áreas
de terra diminuídas (observação pessoal, 1991).
Um dos problemas básicos na atuação da ELETRONORTE em
lidar com a população deslocada era que a companhia limitou a
sua assistência ao pagamento em espécie, na maioria dos casos.
O objetivo da ELETRONORTE em se livrar de responsabilidades
5
legais subseqüentes pode ter sido realizado, mas o resultado
social foi que a maioria da população deslocada foi reduzida à
indigência, e efetivamente tinha que se virar por conta
própria. Os valores de indenização eram pequenos, e o
pagamento foi sujeito a demoras repetidas (que, no contexto de
correção monetária inadequada para a inflação no Brasil
naquela época, implicava em perdas substanciais de valor).
Mais importante é o fato que, independente do valor monetário
pago, o dinheiro evapora rapidamente nas mãos de pessoas
inexperientes em lidar com finanças, deixando a maioria das
famílias sem nada poucos meses depois. Em março de 1985, três
meses depois de assumir o cargo como o primeiro presidente
civil desde 1964, José Sarney visitou Tucuruí e autorizou a
criação de uma comissão interministerial para lidar com os
problemas de re-assentamentos que tinham se tornando, naquela
altura, politicamente explosivos. A comissão reconheceu os
problemas resultantes da restrição das ações da ELETRONORTE à
indenização em dinheiro (Comissão Interministerial, 1985,
citado por Magalhães, 1990, p. 108).
As relações entre a população deslocada e a ELETRONORTE
se deterioraram na década que seguiu o fechamento da barragem.
Estes problemas têm sido apropriadamente descritos como tendo
"já assumido características Kafkanianas, fazendo com que as
partes diretamente envolvidas perdessem todas as suas
esperanças de resolução do conflito" (Schönenberg, 1994, p.
36).
A população afetada por Tucuruí não é limitada às pessoas
reassentadas da área de inundação, mas também incluem outras
que são atraídas à área por causa das suas estradas, mercados,
e oportunidades de emprego fora da agricultura. A ELETRONORTE
classifica migrantes deste tipo como sendo fora da sua
responsabilidade. No entanto, a atração desta população é uma
conseqüência previsível da construção de uma barragem. As
pessoas deslocadas têm experimentado problemas adicionais, e
têm provocado desmatamento adicional e outros impactos. Um
exemplo deste fato foi decorrente de uma praga de mosquitos do
gênero Mansonia que levou grande parte da população que tinha
sido reassentada pela ELETRONORTE na área de assentamento
Gleba Parakanã a mudar-se para uma área (Rio Gelado),
localizada em uma estrada construída por madeireiros de mogno,
ligando a rodovia Transamazônica com a cidade de Tucumã. Em
abril de 1993, depois que um grupo de pessoas deslocadas tinha
acampado na entrada da sede da ELETRONORTE durante dois anos,
a empresa concordou em fornecer alguma infra-estrutura no
local em Rio Gelado. Até 1993, apenas 103 das 1.500 famílias
a serem assentadas em Rio Gelado tinham recebidas títulos da
terra (Teixeira, 1996, p. 227). Tensões entre os que chegaram
da Gleba Parakanã e outros reclamantes em Rio Gelado,
sobretudo os madeireiros, forçando o líder do grupo da Gleba
Parakanã a fugir da área e morar na clandestinidade no período
1996-1999.
Planos para construção de hidrelétricas a montante de
6
Tucuruí incluem 26 barragens (Figura 2) (ver Junk & de Mello,
1987; Fearnside, 1995a, 1997), mas uma lista da Agência
Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) da situação dos planos em
julho de 2002 indica 46 barragens, incluindo pequenos
aproveitamentos (IDB, 2002) (Tabela 1). Mougeot (1987, p. 97)
estimou que todas as barragens na bacia Tocantins/Araguaia
deslocariam 85.673 pessoas. Esta estimativa foi baseada na
presunção que a população destas áreas vai permanecer
constante nos seus níveis de 1985; como Mougeot (1987, p. 97)
reconhece, estes valores serão "ultrapassados em muitas vezes
até a data que todos os prováveis reservatórios seriam
formados". Um dos primeiros seria o reservatório Santa Isabel
no baixo rio Araguaia, que iria deslocar uma população que
provavelmente seria "bem maior que a estimativa de 1980 de
60.000" (Mougeot, 1990, p. 98).
[Figura 2 aqui]
[Tabela 1 aqui]
B.) RESIDENTES A JUSANTE
Os residentes do baixo rio Tocantins têm sofrido uma
desagregação severa como resultado da barragem. O fechamento
da barragem alterou radicalmente o ambiente aquático tanto
acima como abaixo da barragem (Fearnside, 1995b). O trecho do
rio Tocantins afetado por Tucuruí (500 km abaixo da barragem e
170 km acima) sustentava uma indústria de pesca abundante que
forneceu tanto renda monetária como a maior parte da proteína
animal para os ribeirinhos. Antes do fechamento da barragem,
o consumo de peixe era, em média, 49 kg/pessoa/ano (de Merona,
1985).
No ano seguinte ao fechamento da barragem, a captura de
peixes no baixo Tocantins permaneceu aproximadamente em níveis
pré-barragem, já que os peixes migratórios presos no pé da
barragem foram facilmente capturados pelos pescadores. No ano
seguinte (1986), no entanto, a captura total era três vezes
menor (Brasil, INPA/ELETRONORTE, 1987; Leite & Bittencourt,
1991). A captura de peixes por unidade de esforço, medido ou
em kg/viagem ou em kg/pescador, caiu em aproximadamente 60%,
enquanto o número de pescadores também caiu dramaticamente.
Além das quedas em captura de peixes, as colheitas de camarões
de água doce também diminuíram: a produção local no baixo
Tocantins não mudou dos seus níveis no primeiro ano após o
fechamento da barragem (1985), mas caíram em 66% no ano
seguinte (Odinetz-Collart, 1987). A água passando através das
turbinas é especialmente pobre em oxigênio durante a época
seca. Esta água não mistura com o fluxo do vertedouro ao
longo de aproximadamente 60 km a jusante da barragem,
reduzindo as populações de peixes ao longo da margem ocidental
desse trecho (Hino et al., 1987 citado por Monosowski, 1990,
p. 31).
Cametá é um dos assentamentos não-indígenas mais antigos
na região amazônica, e tem sido um município independente
7
desde 1635 (Heinsdijk, 1958, p. 48). A base econômica de
Cametá foi dizimada pelos efeitos de Tucuruí sobre o baixo
Tocantins (ver Dwyer, 1990, p. 48-63). Como estes impactos
foram resultados de uma ação proposital por parte do governo
nacional, os faz com que eles sejam vistos de forma
diferenciada de impactos do mesmo nível sofridos, por exemplo,
devido a algum desastre natural. A diferença tem as suas
raízes na história da região amazônica, que durante séculos
tem sido explorada para o benefício de potências distantes,
primeiro os portugueses e depois os "sulistas" (pessoas de São
Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e outros locais vistos por
Amazônidas como parte do "sul" do País). É claro, Tucuruí é
visto como sendo basicamente obra de sulistas.
C.) POVOS INDÍGENAS
O impacto sobre povos indígenas é um dos aspectos mais
polêmicos de Tucuruí, assim como é o caso para outras
barragens existentes e propostas na Amazônia. Tucuruí inundou
parte de três áreas indígenas (Parakanã, Pucurui e Montanha),
e as suas linhas de transmissão cortaram quatro outras áreas
(Mãe Maria, Trocará, Krikati e Cana Brava) (Comissão Pró-Índio
de São Paulo, 1991, p. 64). Além disso, a mudança do percurso
da rodovia Transamazônica para acompanhar a margem ocidental
do reservatório cortou a Área Indígena Parakanã, que foi
truncada para ocupar apenas um lado da rodovia. A terra entre
a rodovia e o reservatório foi usado para uma área de reassentamento
(Gleba Parakanã), assim negando a tribo acesso ao
reservatório. A invasão da reserva por caçadores nãoindígenas
foi facilitada por esta localização. A Área
Indígena Trocará, onde vivem os índios Asurini do Tocantins,
fica 24 km a jusante da barragem e portanto sofreu os efeitos
da poluição da água e da perda de recursos pesqueiros que
afetam todos os residentes a jusante de Tucuruí.
Da área submersa por Tucuruí, 36% pertenciam aos índios
Parakanã (Comissão Pró-Índio de São Paulo, 1991, p. 74).
Entre 1971 e 1977, a tribo foi deslocada cinco vezes pela
FUNAI. Em 1978 (três anos depois do início da construção em
1975), um programa de assistência chamado "Projeto Parakanã"
foi montado pela FUNAI e ELETRONORTE para efetuar a
transferência da tribo para fora da área de inundação, mas o
programa foi abandonado em 1979. A primeira parte da tribo
mudou-se em 1981, deslocando-se por iniciativa própria em vez
de esperar a assistência governamental. Em 1982 o restante da
tribo Parakanã foi transferido de helicóptero até a aldeia
nova (Marudjewara), construída pela ELETRONORTE. A malária e
outras doenças contribuíram para um aumento da mortalidade na
tribo após a mudança (Comissão Pró-Índio de São Paulo, 1991,
p. 75). Em 1987 a ELETRONORTE e a FUNAI começaram o "Programa
Parakanã" que incluiu a construção de uma estrada vincinal de
12 km para dar acesso a uma das aldeias (Paranati) a partir da
rodovia Transamazônica, a compra de uma camionete e a
construção de um armazém em cada uma das duas aldeias
deslocadas por causa de Tucuruí. Atividades posteriores
8
incluíam serviços de saúde, educação primária, extensão
agrícola, e ajuda na patrulha às fronteiras da reserva
(Comissão Pró-Índio de São Paulo, 1991, p. 76).
Os índios Krikati receberam um caminhão, um trator,
implementos agrícolas e algumas cabeças de gado como
compensação pelo corte da linha de transmissão pela sua
reserva (Comissão Pró-Índio de São Paulo, 1991, p. 69). Os
índios Guarajara (da reserva Cana Brava) receberam Cr$ 160
milhões em 1979-80 [aproximadamente US$ 6,4 milhões] (Comissão
Pró-Índio de São Paulo, 1991, p. 72). Os Asurini do Tocantins
a jusante da barragem nunca foram incluídos nos planos da
ELETRONORTE para mitigação e não receberam nenhuma assistência
adicional ou compensação pelos impactos sofridos (Comissão
Pró-Índio de São Paulo, 1991, p. 78).
A tribo Gavião-Parkatejê estava no caminho da linha de
transmissão para São Luís, que corta uma faixa de 19 km de
comprimento através da reserva Mãe Maria. Em abril de 1980 a
tribo recebeu Cr$ 40 milhões [aproximadamente US$ 1,6 milhões]
(Comissão Pró-Índio de São Paulo, 1991, p. 68). O valor da
compensação pago neste e em outros casos é de importância
muito menor do que o fato que a compensação foi em espécie ao
invés de ser em forma de terra. O dinheiro pago, assim como
na maioria dos pagamentos de compensação em espécie para povos
indígenas, tem pouca utilidade. Este serve apenas para as
companhias elétricas ficarem livres para construir barragens e
linhas de transmissão, porque a falta de experiência das
tribos em lidar com o dinheiro faz com que seja quase
inevitável que as verbas sejam usadas para fins que não
asseguram o bem estar contínuo das tribos.
D.) SAÚDE
1.) Malária
Os mosquitos do gênero Anopheles, que transmitem a
malária, estão presentes em toda a área de Tucuruí (Tadei et
al., 1983). A. darlingi, o vetor principal da malária na
Amazônia, diminuiu em abundância, embora o mosquito e a doença
permaneçam (Tadei et al., 1991). Anopheles nunez-tovari, a
espécie anofelina mais comum antes do enchimento do
reservatório, aprentaram uma redução na sua população, assim
como A. triannulatus e A. albitarsis. Anopheles braziliensis,
que não tinha sido encontrado antes do enchimento, apareceu
nas coletas pós-enchimento. Espécies presentes tanto antes
como depois do enchimento para as quais não foi observado
nenhuma tendência clara de mudança aparente na abundância são:
A. oswaldi, A. argyritarsis, A. mediopunctatus, A. evansae, A.
intermedius e A. rangeli (Tadei et al., 1991). O grande
aumento da população humana na área resultante da presença da
hidrelétrica, junto com a presença continua de uma gama ampla
de vetores de malária, é uma fórmula certa para impactos
severos dessa doença, sobre a saúde.
9
2.) Praga de Mosquitos Mansonia
Após o enchimento do reservatório, populações de
mosquitos do gênero Mansonia têm explodido ao longo da margem
ocidental do lago. Os mosquitos que têm se tornado uma
"praga" são, na maioria, M. titilians, mas também incluem M.
pseudotilians, M. indubitans e M. humeralis, que picam tanto à
noite como de dia (Tadei et al., 1991). O grande número
destes insetos torna a vida intolerável nas áreas onde estão
concentrados, e causaram uma significativa saída de residentes
para locais mais agradáveis. A explosão de mosquitos era uma
conseqüência previsível das macrófitas aquáticas no
reservatório, que, acredita-se, fornece criadouros para estes
mosquitos em toda Amazônia. Os ventos predominantes
concentram as macrofitas, tais como a água-pé (Eichhornia
crassipes), alface-da-água (Pistia spp.) e Salvinia spp., a
longo da margem esquerda. A explosão inicial de macrófitas
(especialmente a Salvinia auriculata), que cobriu grande parte
da superfície do reservatório no primeiro ano, se retraiu até
seu nível atual na medida em que o pulso inicial de nutrientes
se esgotou. O nível atual de infestações por macrófitas, e,
portanto, o atual nível de infestação de mosquitos, parece ser
estável.
Mosquitos do gênero Mansonia não transmitem a malária,
mas transmitem vários tipos de arbovírus (Brasil, ELETRONORTE,
1989b), além de poder transmitir a elefantíase, que é causada
por um verme parasítico. Embora a doença ocorra em países
vizinhos, tal como o Suriname, não tem se espalhado na
Amazônia brasileira. A razão porque a doença não se espalhou
é desconhecida, já que os mosquitos Mansonia ocorrem em toda a
Amazônia (W.P. Tadei, comunicação pessoal, 1991).
A praga de mosquitos Mansonia afeta severamente a área de
re-assentamento de Gleba Parakanã. A um grau menor ela também
afeta as aldeias para as quais os índios Parakanã têm sido
deslocados (aproximadamente 30 km ao oeste do reservatório).
3.) Mercúrio
A metilização do mercúrio (Hg) representa uma grande
preocupação para o desenvolvimento hidrelétrico na Amazônia.
O mercúrio é concentrado biologicamente em uma ordem de
grandeza a cada passo que sobe na cadeia alimentar. Os seres
humanos tendem a ocupar a posição de topo e espera-se que
abriguem as concentrações mais altas de mercúrio.
Cerca de 50 a 70 t de mercúrio são lançados anualmente no
meio ambiente na forma de aerossóis atmosféricos quando os
garimpeiros Amazônicos amalgamam o seu ouro (Pfeiffer & de
Lacerda, 1988, p. 329). É provável que uma parte disto seja
transportada até reservatórios de hidrelétricas. Estima-se
que o garimpo de Serra Pelada tenha liberado 360 t de Hg no
meio ambiente entre 1980 e 1986 (Porvari, 1995, p. 110). O
ouro em Serra Pelada se esgotou no final da década de 1980,
10
mas há garimpos ativos em vários locais na bacia hidrográfica
de Tocantins, inclusive no rio das Mortes e na bacia do alto
Araguaia.
O transporte aéreo de mercúrio por mais de mil km tem
sido constatado no Canadá, onde o aumento de fontes
industriais nos Estados Unidos logo após a Segunda Guerra
Mundial ficou registrada nos sedimentos na área da baía de
Hudson, no extremo norte do Canadá (Marc Lucotte, comunicação
pessoal, 1993). A contaminação por mercúrio nos reservatórios
no norte do Canadá é bem conhecida (Bodaly et al., 1984). Os
índios Cree, que comem peixes dos reservatórios, sofrem de
conseqüências severas de saúde.
As concentrações de mercúrio nos sedimentos e na água nos
rios Itacaiúnas e Paraupebas (perto de Carajás e Serra Pelada)
são mais altas que aquelas no rio Madeira, que tem se tornado
notório por contaminação mercurial (Fernandes et al., 1990).
Já que os peixes podem migrar, é possível que a contaminação
venha das áreas de garimpagem e isto é enfatizado pelas
autoridades da ELETRONORTE (Paulo Edgar Dias Almeida,
comunicação pessoal, 1991). No entanto, a probabilidade da
migração de peixes explicar o fenômeno, em um número
substancial de espécies, é pequena.
As concentrações de mercúrio total em plantas na floresta
perto de Tucuruí têm sido registradas muito mais altas que no
Canadá onde a contaminação de mercúrio é bem estabelecida
(Marc Lucotte, comunicação pessoal, 1993). O mesmo fenômeno
tem sido demonstrado na Guiana Francesa (Roulet & Lucotte,
1995). É provável que as altas concentrações no solo e na
vegetação na Amazônia têm se acumulado lentamente a partir da
deposição lenta ao longo de milhões de anos, em vez de se
originar de entradas antropogênicas recentes (Roulet et al.,
1996).
O passo chave levando à contaminação mercurial de
populações humanas é a metilização de mercúrio metálico.
Grandes entradas de mercúrio metálico, por exemplo, da
garimpagem de ouro, não são necessárias para que os níveis de
contaminação mercurial cheguem a ser um risco para a saúde
humana. Os níveis existentes de Hg nos solos e na vegetação
(principalmente de fontes vulcânicas, e transporte à distância
a partir de centros industriais) são suficientes para ter
conseqüências severas em ambientes que facilitem a
metilização. Diferenças químicas na água entre rios
Amazônicos são muito mais importantes do que a presença da
atividade garimpeira em explicar as diferenças na contaminação
por mercúrio nos ribeirinhos (Silva-Forsberg et al., 1999).
A metilização está ocorrendo em reservatórios, como é
indicado pelos altos níveis de mercúrio nos peixes (Porvari,
1995) e nos cabelos humanos (Leino & Lodenius, 1995) em
Tucuruí. Em uma amostra de 230 peixes tirados do
reservatório, 92% dos 101 peixes predatórios tinham níveis de
11
Hg mais altos que o limite de segurança de 0,5 mg/kg de peso
fresco (Leino & Lodenius, 1995, p. 109). O tucunaré (Cichla
ocellaris e C. temensis), um peixe predatório que compõe mais
da metade da captura comercial em Tucuruí, está contaminado,
em média, a 1,1 mg/kg fresco, mais que o dobro do limite de
segurança. Para ficar dentro das taxas de consumo
recomendadas, uma pessoa teria que comer, no máximo, uma
refeição de tucunaré por semana (Marc Lucotte, comunicação
pessoal, 1993). Muitos residentes das margens de Tucuruí
comem peixe todos os dias, assim como fazem muitas pessoas em
Belém onde grande parte da coleta de peixes de Tucuruí é
comercializada.
A média de Hg nos cabelos de pessoas que pescam no
reservatório era 65 mg/kg de cabelo (Leino & Lodenius, 1995,
p. 121), um valor muitas vezes mais alto que os valores em
áreas de garimpagem. Por exemplo, em garimpos perto de
Carajás, concentrações de Hg nos cabelos humanos variam de
0,25 a 15,7 mg/kg de cabelos (Fernandes et al., 1990). Dados
do rio Tapajós têm indicado sintomas mensuráveis, tal como
redução de campo visual, entre os ribeirinhos que têm níveis
de Hg nos seus cabelos bastante menores que ambos os níveis
encontrados em Tucuruí e o limite máximo de 50 mg/kg
atualmente reconhecido como padrão (Lebel et al., 1996). As
concentrações de Hg nos cabelos humanos em Tucuruí já são mais
que o dobro do que aquelas constadas como causadoras de danos
ao feto, resultando em retardamento psicomotor (Leino &
Lodenius, 1995, p. 124).
As conseqüências sobre a saúde humana podem ser
devastadoras, e ainda não são entendidas pela maioria das
pessoas da Amazônia. O mercúrio se concentra no organismo ao
longo da vida de uma pessoa, e não é removido por processos
naturais de limpeza. Cozinhar o peixe não altera os níveis de
toxicidade do metilmercúrio. O surgimento de sintomas
severos, incluindo morte em casos severos, pode ocorrer com
bastante rapidez depois de anos de saúde aparente. Em
Minamata, Japão, pescadores saudáveis caíram doentes e morriam
após uma semana do começo dos sintomas. O mercúrio é
concentrado no feto: uma mãe saudável pode dar luz a uma
criança deformada (Harada, 1976). O período antes de aparecer
os sintomas é muito longo. Em Minamata, a companhia química
Chisso começou a lançar resíduos de mercúrio na baía de
Minamata em 1932, mas foi apenas em 1956 (24 anos depois) que
o primeiro caso de contaminação foi reconhecido. Muitas
pessoas na Amazônia hoje estão comendo peixe sem sentir nenhum
efeito negativo, levando elas à conclusão errônea de que elas
estão escapando das conseqüências do envenenamento por
mercúrio.
4.) Outros Riscos em Potencial para a Saúde
A esquistossomose poderia potencialmente afetar a área.
Os caramujos planórbidos (Biomphalaria sp.) que servem como
vetores para o parasita ocorrem na área (de Mello, 1985).
12
Felizmente, estes ainda não estão afetados pelo parasita
helmíntico Schistosoma mansoni. A doença está largamente
espalhada no nordeste brasileiro e em Minas Gerais, fazendo
com que seja provável que o parasita chegue até Tucuruí um dia
(Junk & de Mello, 1987).
A doença de Chagas representa um problema em potencial
para a saúde, já que os barbeiros da família Reduviidae que
transmitem a doença ocorrem na área. O parasita (Trypanosoma
cruzi) tem sido encontrada na área em três espécies de
barbeiros, Panstrongylus geniculatus, Rhonius pictipes e
Lutzomaia anduzei (Arias et al., 1981, p. 7-10). Em geral, o
fator mais estreitamente associado com surtos da doença de
Chagas é a pobreza: casas com paredes de barro e tetos de
folha de palmeira são especialmente aptas para abrigar os
vetores. A prevalência de pobreza na área é evidente.
E.) DISTORÇÃO ECONÔMICA
O Brasil tem se comprometido em fornecer eletricidade
bastante subsidiada às empresas estrangeiras de alumínio em
Barcarena (PA) e São Luís (MA). Este fato distorce toda a
economia energética brasileira. ALBRÁS, (o consórcio que
beneficia o alumínio em Barcarena) sozinha recebeu US$ 395,5
milhões em subsídios do governo brasileiro no período de
janeiro de 1985 a maio de 1994, e em 1993 o total pago a este
consórcio era US$ 97,9 milhões (Conselho Nacional da Amazônia
Legal, 1994, p. 41). Quase dois terços da energia gerada pela
hidrelétrica de Tucuruí é fornecida a tarifas altamente
subsidiadas à indústria de alumínio em Barcarena e São Luís.
A capacidade instalada de 4.000 MW gera 2.059 MW (18,03 TWh)
anualmente (Brasil, ELETRONORTE, s/d [1992], p. 3); o uso de
energia em 1985 para fabricação de alumínio era 630 MW em
Barcarena e 625 MW em São Luís (Gitlitz, 1993). A expansão da
capacidade da usina em Barcarena (CVRD, 1997) implica num
consumo energético de 677 MW até 1996. Presumindo perdas em
transmissão de 2,5% (ver Fearnside, 1997), 65% da produção
disponível de energia é usado para alumínio.
O Brasil perde quantias astronômicas com o subsídio dado
à indústria de alumínio. A raiz do problema é a Portaria no.
1654 do Ministério das Minas e Energia, datado 13 de agosto de
1979 (Diário Oficial, 16 de agosto de 1979), que concede
eletricidade durante 20 anos a uma tarifa ligada ao preço
internacional de alumínio. O custo da energia usada no
beneficiamento não pode ultrapassar 20% do preço internacional
do produto. Quando o alumínio é barato, como é o caso hoje,
as empresas pagam quase nada.
As financiadoras internacionais de barragens no Brasil,
tal como o Banco Mundial, estão essencialmente canalizando
dinheiro para o Japão em vez de ao Brasil. As verbas
constroem barragens para suprir energia às cidades brasileiras
que poderiam ter sido abastecidas a partir de barragens
existentes, tal como Tucuruí, mas que não abastecem as zonas
13
urbanas porque o governo brasileiro está efetivamente doando a
energia de Tucuruí ao Japão na forma de barras de alumínio
subsidiado.
Toda a economia brasileira tem sido destorcida pelas
concessões negociadas como parte do acordo para permitir a
construção de Tucuruí. Até 1991, as duas usinas de alumínio
que recebem energia de Tucuruí estavam usando 5% de toda a
energia elétrica do Brasil (Pinto, 1991a). A percentagem do
consumo de energia representada pelas "indústrias intensivas
de energia", das quais o alumínio é a mais importante, mas que
também incluem aço, ferro ligas, cloro, e celulose, aumentou
de 33% do uso industrial de energia em 1975 para 41% em 1987
(Lobo, 1989). O subsídio pesado das tarifas elétricas no
Brasil explica o crescimento, especialmente no setor de
exportações. Os produtos de exportação brasileiros tinham um
conteúdo energético médio de 674,9 kwh/US$ 1.000 exportado em
1975, aumentando para aproximadamente 1.000 kwh/US$ 1000 em
1989 (Lobo, 1989). Em 1985, o Brasil cobrava dos fabricantes
de alumínio US$ 0,010/kwh, enquanto o Japão cobrava US$ 0,069
(Lobo, 1989).
Em uma escala global, o subsídio da energia para alumínio
permite um desperdiço no uso deste metal. O alumínio é usado,
por exemplo, para latas de refrigerantes e cerveja; mesmo se
forem recicladas várias vezes, estas acabam no lixo. Uma lata
de alumínio sem reciclagem usa 7.000 unidades termais
britânicas (BTUs) de energia, uma lata reciclada usa 2.500 BTU
por uso, enquanto uma garrafa de vidro reaproveitada 10 vezes
consome uma média de 500 BTU por uso (Young, 1991, p. 24). Se
o custo verdadeiro do alumínio fosse cobrado pelo produto,
inclusive o custo de construir barragens hidrelétricas e as
compensações pelos seus impactos ambientais e sociais, o
alumínio seria muito mais caro e seria usado apenas para
finalidades que não têm nenhum substituto. Os principais
países consumidores de alumínio não estão mais construindo
grandes barragens, tendo descoberto que os custos financeiros,
sociais e ambientais de barragens são pesados demais. Eles
preferem mais exportar estes impactos para países como o
Brasil, enquanto eles continuam a desfrutar os benefícios na
forma de alumínio barato.
Subsídios para novos projetos foram revogados em agosto
de 1985, mas continuam para projetos existentes; os contratos
de ALBRÁS e ALUMAR vão até 2004 (Lobo, 1989). Em março de
1990, logo após a posse do então Presidente Fernando Collor de
Mello, cortes profundos nos subsídios foram anunciados, com o
objetivo de eliminar todos os subsídios governamentais da
economia brasileira. Logo após, no entanto, exceções
começaram a aparecer. A exceção mais importante era o
beneficiamento de alumínio, para qual a continuação dos
subsídios foi garantida. O subsídio para alumínio escapou por
pouco ser abolido pelo Congresso Nacional em abril de 1990
(Gazeta Mercantil, 07 de abril de 1990).
14
A energia gerada por Tucuruí faz pouco para melhorar a
vida daqueles que moram na área: um fato dramatizado pelas
linhas de alta tensão passando por cima de barracas iluminados
apenas por lamparinas. A maior parte da energia de Tucuruí
fornece energia subsidiada para usinas multinacionais em
Barcarena (ALBRÁS-ALUNORTE do Nippon Amazon Aluminum Co. Ltda.
de NAAC, um consórcio de 33 firmas japonesas) e em São Luís
(ALUMAR, da empresa norteamericana Alcoa e a empresa britânica
e holandesa Billiton). A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD)
mantém 51% e 61% em ALBRÁS e ALUNORTE, respectivamente (CVRD,
1983). A energia é vendida às companhias de alumínio às
tarifas entre um terço e a metade do custo de geração: de
acordo com Aureliano Chaves, então Ministro das Minas e
Energia, a energia é gerada por Tucuruí a um custo de US$
38/MWh estava sendo vendida por US$ 10,5-16,5/MWh (Silva,
1991). De acordo com o Departamento Nacional das Águas e
Energia Elétrica (DNAEE), o custo de geração é de US$ 50/MWh
em Tucuruí, comparado à média brasileira de US$ 20/MWh
(Monosowski, 1990). A energia vendida para ALBRÁS em 1989 foi
paga a menos da sexta parte da tarifa paga pelos consumidores
residenciais no Brasil (Brasil, ELETRONORTE, 1989b). Em 1990
a ALBRÁS pagou 22 mils (milésimos de dólar)/kWh e ALUMAR pagou
26 mils, enquanto um consumidor residencial pagou 64 mils,
três vezes mais que ALBRÁS (Jornal do Brasil, 17 de abril de
1990). A diferença entre a tarifa cobrada às usinas de
alumínio e o custo de geração é subsidiado pela população
brasileira através dos seus impostos e das suas contas de luz.
III.) BENEFÍCIOS DE TUCURUÍ
A.) GERAÇÃO DE ENERGIA
A geração de energia é, normalmente, a fonte primária de
benefícios sociais de barragens hidrelétricas, já que as
quantidades de emprego e bens produzidos geralmente são
proporcionais à eletricidade gerada. A Tucuruí-I tem uma
capacidade instalada de 4.000 MW (12 geradores de 330 MW cada
e dois de 20 MW). Nenhuma hidrelétrica produz tanto energia
quanto a sua capacidade instalada, já que a vazão dos rios
Amazônicos varia seguindo um ciclo anual, e inevitavelmente
fica insuficiente durante uma parte do ano para acionar todas
as turbinas da hidrelétrica. A potência firme, ou seja,
aquela sobre que se pode contar com um alto grau de certeza, é
2.115 MW (Monosowski, 1990).
Tucuruí-II duplicaria a capacidade instalada de 4.000 MW
para 8.000 MW, mas isto não significa que a produção de
energia seria duplicada. A energia adicional seria gerada
apenas durante a estação de alta vazão, já que, durante uma
boa parte do ano a geração é limitada pela vazão insuficiente
no rio Tocantins. Barragens adicionais fornecendo
armazenamento e regulagem da vazão a montante de Tucuruí
aumentariam a geração de Tucuruí-II, mas não alterariam a sua
função como um fornecedor de eletricidade adicional apenas
durante os períodos de pico de vazão. Planos ambiciosos para
barragens adicionais na bacia do Tocantins/Araguaia ilustram a
15
necessidade para uma consideração dos impactos de projetos
relacionados.
B.) EMPREGOS
As perdas financeiras representam apenas uma parte do
impacto do subsídio às indústrias de alumínio. A quantidade
de empregos criada pelo beneficiamento de alumínio é mínima:
são 1.200 empregos em Barcarena e 750 em São Luís. Em 1986 a
ALBRÁS usou 49,5% de toda a eletricidade consumida no Pará
(Brasil, ELETRONORTE, 1987, p. Amazonas-32 & Pará-12). A vila
operária em Barcarena, incluindo dependentes, comerciantes,
etc., tem uma população de apenas 5.000 pessoas; esta vila
consome mais energia do que Belém, Santarém e todas as demais
cidades do Pará juntas. Praticamente qualquer outro uso da
eletricidade traria maiores benefícios ao Brasil (ver
Fearnside, 1989).
A construção de Tucuruí custou um total de US$ 8 bilhões,
quando se inclui os juros sobre a dívida, de acordo com os
cálculos de Lúcio Flávio Pinto (1991b). Considerando a
percentagem da energia usada para alumínio, somente a
hidrelétrica de Tucuruí, que é apenas uma parte da infraestrutura
fornecida pelo governo brasileiro, custou US$ 2,7
milhões por emprego gerado.
IV.) IMPACTOS SOCIAIS NA TOMADA DE DECISÕES
Os impactos sociais tiveram um papel mínimo na tomada de
decisão inicial de construir a barragem. Esta decisão foi
principalmente baseada em seus benefícios financeiros para
atores distantes, sobretudo no Japão e na França, e para os
beneficiários brasileiros dos contratos de construção (ver
Teixeira, 1996; Pinto, 1991a,b). Já que Tucuruí foi planejada
e construída durante o regime militar, é também, pouco
surpreendente que pouca importância foi dada aos efeitos
negativos sobre residentes locais na Amazônia. No entanto,
desde aquela época, exigências têm sido implementadas para um
Relatório dos Impactos sobre o Meio Ambiente (RIMA), um Estudo
dos Impactos Ambientais (EIA) e uma audiência pública. Estes
cobrem impactos sociais, assim como os ambientais. Poderia se
esperar que esses avanços levariam a um processo de tomada de
decisões em que os benefícios e custos, incluindo benefícios e
custos sociais, dos projetos propostos seriam estimados de uma
maneira completa e objetiva, e seriam publicamente debatidos
antes se tomar decisões sobre projetos de desenvolvimento tais
como hidrelétricas. No entanto, a experiência recente com
estas medidas de proteção no caso de barragens Amazônicas
indica a facilidade com que os seus efeitos protetores podem
ser empatados quando interesses políticos fazem a aprovação
dos projetos uma prioridade política (Fearnside & Barbosa,
1996a,b). O fortalecimento destes procedimentos deve ser uma
alta prioridade para se evitar os piores impactos do
desenvolvimento. A avaliação de propostas de desenvolvimento
futuro pode ser melhorada se as lições forem aprendidas a
16
partir das experiências passadas tal como no caso de Tucuruí.
No Brasil, as exigências para avaliação de impactos de
hidrelétricas e outros projetos de desenvolvimento são vagas
com respeito aos impactos sociais. Estes ditames seguem a Lei
no. 6.938 de 31 de agosto de 1981 e o Decreto no. 8.835 de 10
de junho de 1983, que criam o Conselho Nacional do Meio
Ambiente (CONAMA), e a regulamentação desta lei em 21 de
janeiro de 1986 (Resolução de CONAMA 001/86). A ELETRONORTE
sempre se aproveita da linguagem vaga para interpretar uma
inclusão mínima de aspectos sociais (Sigaud, 1990, p. 100; ver
também Teixeira, 1996, p. 118-120). Em 1986 (i.e., depois que
o sistema político brasileiro ter se tornado mais
democrático), a ELETROBRÁS produziu um conjunto de diretrizes
para estudos de impactos que incluía algumas exigências a mais
para avaliações sociais (Brasil, ELETROBRÁS, 1986).
Um problema fundamental é que o EIA e o RIMA são
produzidos por empresas de consultoria que dependem
completamente do proponente do projeto, neste caso a
ELETRONORTE. O proponente prepara os termos de referência,
escolhe a empresa vencedora, e paga pelos serviços. Além
disto, a parcela final do pagamento não é liberada até que o
documento passe através de uma série de versões nos quais o
proponente pode pedir mudanças no conteúdo do relatório (ver
Fearnside & Barbosa, 1996b). As empresas são, portanto,
induzidas a produzir relatórios que indicam um mínimo de
impactos, tanto por meio de pressões diretas como em função do
seu interesse em ser escolhido para contratos futuros de
consultoria.
Rosa et al. (1987) propuseram uma redefinição do
"potencial" das hidrelétricas da Amazônia que eliminaria
locais da lista em casos onde os impactos sociais claramente
seriam excessivamente grandes. Atualmente, os cálculos
oficiais indicam um potencial total de 97.800 MW, que se
plenamente aproveitados, inundaria 100.000 km2 (Brasil,
ELETROBRÁS, 1987, p. 150). Isto representaria 2% da Amazônia
Legal, ou em torno de 3% da área florestada. Assim como
locais em potencial para implantação de hidrelétricas são
eliminados da lista quando fatores de engenharia, tais como a
topografia e vazão, são inapropriados, locais com limitações
sociais e ambientais poderiam ser eliminados logo no início do
processo decisório, antes que as pressões para a construção
das barragens se tornassem tão forte que os projetos tornarse-
iam "irreversíveis". Atualmente, os cálculos do potencial
hidrelétrico incluem a presunção de que todos os locais
identificados pelos critérios físicos serão aproveitados. O
caso mais grave é a produção estimada da hidrelétrica de Belo
Monte, um cálculo que, aparentemente, conta com a regulação da
vazão do rio Xingu por barragens a montante que teriam
impactos sociais desastrosos (Fearnside, 1996).
V.) CONCLUSÕES
17
Os custos sociais da hidrelétrica de Tucuruí foram, e
continuam a ser, pesados. Estes incluem o deslocamento da
população na área de inundação e a sua realocação subseqüente
devido a uma praga de mosquitos Mansonia, o desaparecimento da
pescaria que sustentava, tradicionalmente, a população a
jusante da barragem, os efeitos sobre a saúde devido à malária
e a contaminação por mercúrio, e o deslocamento e perturbações
de grupos indígenas. O alto custo financeiro e a quantidade
minguada de emprego produzido por Tucuruí, que fornece
principalmente energia para beneficiamento de alumínio, causam
distorções econômicas com impactos sociais de grande alcance,
inclusive o custo de oportunidade de não ter usado os recursos
financeiros e naturais da nação de modo mais benéfico para os
residentes locais. No caso de Tucuruí, as autoridades
sistematicamente subestimaram os impactos e sobre-estimaram os
benefícios. Apesar de muitas mudanças desde a construção de
Tucuruí em 1984, os procedimentos de tomada de decisões ainda
precisam de reformas substanciais para que os impactos
sociais, assim como os efeitos ambientais e outros, sejam
plenamente considerados nas tomadas de decisões sobre projetos
de desenvolvimento, e para que, quando projetos forem
considerados dignos de implementação, os impactos que eles
provocam sejam mitigados com justiça.
VI.) AGRADECIMENTOS
Agradeço às seguintes pessoas pelas discussões sobre
Tucuruí: Lúcia Andrade e Leonide dos Santos (Comissão PróÍndio
de São Paulo); Deputada Aída Maria Silva (Assembléia
Legislativa, Belém); J. Revilla Cardenas, E.G. Ferreira, R.
Leite, J.A.S.N. de Mello e W.P. Tadei (INPA); J. Carvalho
(Projeto Parakanã, Tucuruí); E. Monosowski (Monosowski
Consultants); agradeço aos funcionários de ELETRONORTE e
Camargo Corrêa em Tucuruí pela paciência com as minhas
perguntas, e os funcionários de INPA em Tucuruí e o Sindicato
dos Trabalhadores Rurais de Tucuruí pelo apoio logístico e
pelas informações. Os colonos da Gleba Parakanã merecem
agradecimento especial pelo tempo e hospitalidade durante a
minha visita. Bruce Forsberg e Marc Lucotte forneceram
informações valiosas sobre contaminação por mercúrio.
P.L.M.A. Graça, N. Hamada e S.V. Wilson e dois referees
comentaram o manuscrito. O texto foi atualizado de Fearnside
(1999a). Agradeço a Springer-Verlag New York, editora da
revista Environmental Management, pela permissão de publicar
esta tradução. Uma versão anterior deste trabalho foi
apresentada no "Simpósio sobre Ecologia de Reservatórios:
Estrutura, Função e Aspectos Sociais", Instituto de
Biociências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Botucatu-
SP, 25-28/05/98 (Fearnside, 1999b). Agradeço ao Pew Scholars
Program in Conservation and the Environment, o Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq AI
350230/97-98) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
(INPA PPI 5-3150) pelo apoio financeiro.
VII.) LITERATURA CITADA
18
Arias, J.R., R.A. de Freitas, R.D. Naiff & M. Naiff. 1981.
Impacto do reservatório sobre as doenças endêmicas da região.
In: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Estudos de
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Sub-Projeto: Estudos do Impacto do Reservatório de Tucuruí no
aumento das doenças endêmicas da região. INPA, Manaus, AM.
Pag. irreg.
Bodaly, R.A., R.E. Hecky & R.J.P. Fudge. 1984. Increases in
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p. + anexos.
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Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus,
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Brasil, ELETRONORTE. s/d. [1979]. Estudo das Condições Sócio-
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25
LEGENDAS DAS FIGURAS
Figura 1 -- O reservatório de Tucuruí e a Amazônia Legal
oriental com os locais mencionados no texto.
Figure 2 -- Desenvolvimento hidrelétrico na bacia
Tocantins/Araguaia.
26
TABELA 1: SITUAÇÃO DE HIDRELÉTRICAS EXISTENTES E PLANEJADAS NA
BACIA DO RIO TOCANTINS(a)
Código Aproveitamento Potência Situação em
da ANEEL hidrelétrico (MW) julho de 2002
----------------------------------------------------------
CURSO PRINCIPAL DO RIO TOCANTINS
130 Serra da Mesa 1.275 Em operação
140 Cana Brava 450 Em operação
190a São Salvador 280 Licitada 2o sem. 2001
190b Peixe Angical 452 Licitada 1o sem. 2001
220 Ipueiras 600 A licitar em 2003
230 Lajeado [Magalães] 850 Em operação
290 Tupiraatins 820 A licitar 2o sem.
2002-320 Estreito 1.087 Leilão em julho
de 2002
330 Serra Quebrada 1.328 A licitar 2o sem. 2002
400 Marabá 2.070 A licitar em 2003
430 Tucuruí I & II Tucuruí I em operação
AFLUENTES MENORES DO TOCANTINS
A MONTANTE DE SERRA DA MESA
10 Quintal Inventário
20 Maranhão 125 Inventário
30 Porteiras 2 Inventário
40 Jaraguá Inventário
50 Volta do Deserto 33 Inventário
60 Ceres 130 Inventário
70 Mutum 16 Inventário
80 Jenipapo 18 Inventário
90 Buriti Queimado 137 Inventário
100 Moquém 29 Inventário
110 Mirador 140 A licitar em 2003
120 Colinas 28 Inventário
BACIA DO PARANÃ
150 São Domingos 12 Em operação
160 Foz do Bezerra 300 Viabilidade
170 São Domingos 200 Inventário
180 Palma 79 Inventário
BACIA DO SONO
240 Soninho I e II 20 Inventário
245 Arara 30 Inventário
250 Jalapão 54 Inventário
255 Cachoeira da Velha 81 Inventário
260 Brejão 75 Inventário
265 Novo Acordo 160 A licitar em 2003
270 Isamu Ikeda 26,8 Em operação
275 Rio Sono 168 Inventário
280 Perdida 1 24 Inventário
27
285 Perdida 2 48 Inventário
BACIA DO ITACAIÚNAS
410 Itacaiúnas 1 135 Inventário
420 Itacaiúnas 2 182,6 Inventário
CURSO PRINCIPAL DO RIO ARAGUAIA
340 Couto Magalhães 220 Licitada 2o sem. 2001
350 Barra do Peixe 450 Viabilidade
360 Torixoréu 408 A licitar em 2003
370 Barra do Caiapó 220 Inventário
390a Araguanã 960 A licitar em 2003
390b Santa Isabel 2.200 Licitada 2o sem. 2001
BACIA DO RIO DAS MORTES
380 Foz do Noidore 129 Projeto Básico
------------------------------------------------------
(a) Fonte: Dados da ANEEL em IDB (2002).




fonte: http://philip.inpa.gov.br/publ_livres/mss%20and%20in%20press/tuc-soc-por-inpa.pdf
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ITANHAÉM, MEU PARAÍSO

ITANHAÉM, MEU PARAÍSO
O que faz você feliz?

Quem sou eu

Minha foto

Da capital, já morei entre verde e bichos, na lida com animais e plantas: anos de injeção, espinho de ouriço, berne, parto de égua e curva de nível, viveiros, mudas, onde encontrei tempo para lecionar inglês, alfabetizar adultos e ler livros, na solidão do mato. 

Paixões se sucederam e convivem até hoje: Contabilidade, Economia, Arquitetura (IMES, MACK), a chácara e, afinal, o Direito (FDSBC, cursos e pós graduações). No Judiciário desde 2005, planto, replanto, reciclo, quebro paredes, reconstruo, estudo, escrevo e poetizo, ao som de passarinhos, que cantam nossa liberdade.

Não sou da cidade, tampouco do campo. Aprendiz, tento captar o que a vida oferece, para que o amanhã seja melhor. Um mundo melhor, sempre.

Agora em uma cidade mágica, em uma casa mágica, na qual as coisas se transformam e ganham vida; mais e mais vida. Minha cidade-praia-paraíso, Itanhaém.

Nesta casa de espaços amplos e um belo quintal, que jamais é a mesma do dia anterior, do minuto anterior (pois a natureza cuida do renovar a cada instante o viço, as cores, flores, aromas e sabores) retomei o gosto pelo verde, por releituras de espaços e coisas. Nela planto o que seja bom de comer ou de ver (ou deixo plantado o que Deus me trouxe), colho, podo, cozinho os frutos da terra, preparo conservas e invento pratos de combinações inusitadas, planejo, crio, invento, pinto e bordo... sonho. As ideias brotam como os rebentos e a vida mostra-se viva, pulsante.

Aqui, em paz, retomo o fazer miniaturas, componho terrários que encantam, mensagens de carinho representadas em pequenas e delicadas obras. 

Muito prazer! Fique à vontade, passeie um pouco: questões de Direito, português, crônicas ("causos"), jardinagem e artesanato. Uma receita, uma experiência nova, um redescobrir. 

Pergunte, comente, critique, ok? A casa é sua e seu comentário será sempre bem-vindo.

Maria da Gloria Perez Delgado Sanches

MARQUINHOS, NOSSAS ROSAS ESTÃO AQUI: FICARAM LINDAS!

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